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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

NOTÍCIAS POPULARES: A BELA da JANELA


O busto da janela é de Bela, e ela...
diverte, mesmo inerte, a quem a veja!
Reluz, se a luz da noite relampeja,
luzindo na moldura da janela!

Desleixo, mão no queixo, casta e bela,
inerte a qualquer flerte que a deseja;
olhar de estontear... nem pestaneja,
ainda que ante a fúria da procela!

Seus lábios de carmim, quais rubras flores,
sugerem aos olhares mil sabores
− um acinte ao recatado homem travesso!

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E o povo segue os passos do artesão,
que sonha em dar a vida, com sua mão,
ao busto da negrinha... que é de gesso!

domingo, 25 de dezembro de 2016

A CRIAÇÃO DO MUNDO, pelos olhos do poeta


Quando Deus criava o mundo,
foi criando as coisas belas:
Inventou a natureza,
o firmamento, as estrelas;
criou o cravo e a rosa,
perfumou-a, a fez sedosa,
deu-lhe as cores de aquarelas!

Foi criando os animais,
os prados e as campinas,
rios, mares e florestas...
criou vales e colinas;
para enfeitar, pôs as flores,
cheirosas e multicores,
e o frescor que vem das minas!

Fez Adão e, da costela,
fez Eva, sua mulher!
Um paraíso lhes deu,
sem faltar nada sequer;
mas sobreveio o pecado...
Ele ficou chateado,
pela ação do Lúcifer! 

Então, surgiu o sofrimento,
as mais terríveis doenças!
Os queixumes, as intrigas,
as brigas, as desavenças,
as tristezas e as dores...
muitas lágrimas, rancores,
tantas crenças e descrenças!

Mas, o criador do mundo
− Sapientíssimo e Esteta −
teve compaixão de nós
− Sua criação predileta −
tendo feito a natureza,
fez-nos ver a sua beleza
...pelos olhos do poeta!

sábado, 22 de outubro de 2016

E FOI ASSIM... DEPOIS DE UM GALOPE













Um dia acordei, descansado e disposto,
selei meu cavalo e fui passear.
Pois veio uma chuva de mês de agosto,
que os pingos no rosto faltavam cantar!

Passei pelo bosque, no meu galopar,
lembrando dos pingos que vi em seu rosto,
no dia que parti, à noitinha, sol-posto;
de puro desgosto, eu a vi a chorar...

A rédea soltei... meu cavalo correu...                       
e fomos no embalo... só ele mais eu,
e a chuva açoitando, qual fosse a vingar!

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Naquele galope, nem vi que − lá atrás −
um outro cavalo corria voraz,
com ela no pelo... até me alcançar...!

domingo, 16 de outubro de 2016

QUEM SOMOS? O que fazemos? (soneto para reflexão)














Por certo, bem menor que um grão de areia
pareço, ao comentar, num simples verso,
o vasto e imensurável universo,
que envolve a nossa Terra e nos enleia!

Tão ínfimos nós somos nessa teia,
urdida por um Deus não controverso,
presente em nossas vidas, vivo e imerso
em toda a criação que nos rodeia!

Viemos das poeiras estelares,
da força que criou bilhões de lares,
morar num corpo feito desse pó!

Nós somos aprendizes do possível,                 
da obra desse Deus indivisível,
que tudo fez e faz e que é um só!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

QUANDO CHEGA SETEMBRO...
















É mês de setembro, um setembro qualquer.
No céu cor-de-rosa, com raios de sol,
vermelhos guarás colorindo o arrebol
desfilam beleza pra quem bem quiser!

Cá embaixo, no rio, navega quem quer.
Com o barco ancorado, pescando de anzol,
só ouço o cantar de um feliz rouxinol;
não há som de festa, um barulho sequer...

O mês de setembro é assim, eu me lembro;
é sempre saudoso esse mês de setembro...
que traz primavera... o verão vem depois!

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Parece faz tempo que o tempo passou...
deixou-me a lembrança que dela ficou
...nascida em setembro, num dia vinte e dois!

sábado, 30 de julho de 2016

UMA VIAGEM E TANTO!
















Um dia, olhando o horizonte,
na tênue linha distante,
esse meu lado pensante
quis pra longe me levar!
Viajei pela memória;
voltei a ser um menino;
mas, de repente, o destino
foi de novo me buscar!

Vi a casa onde eu nasci,
o quintal onde eu brincava...
vi a corda que amarrava
meu trapézio a balançar...
vi o lodo esverdeado
depois que a água empoçava
− Se pisasse, escorregava;
tinha que esperar secar!

Vi meus carros de madeira,
carregadinhos de pilhas;
vi as estradas e trilhas,
onde tinham que passar!
Ouvi minha mãe querida
cantarolando feliz...!
Da vida eu era aprendiz
...nada a me preocupar!

Vi aviões que eu fazia
com talas de buriti;
ouvi cantar juriti,
corrupião e xexéu;
mergulhei no rio corda,
joguei bola com os amigos
lembrei-me até dos castigos
no milho... rezando ao céu...!
  
Um pé de coco bem alto,
ata, limão e amora;
vi, como se fosse agora,
caju, manga, imbu... cajás...
de um lado, tinha um muro;
do outro, cerca comprida...
Ó minha infância querida,
nunca mais tu voltarás...!

Quando eu partir deste mundo,
levarei muita saudade,
que acumulei com a idade,
nesse curto caminhar;
não sei que vida terei...
mas peço a Deus o destino
de voltar a ser menino
− com asas − para voar!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

TEMPOS DE INFÂNCIA
















Na casa de minha avó,
Nos tempos de minha infância,
Que o tempo leva em distância
E que não voltam jamais,
Naqueles dias de rosas,
Eu brincava na amoreira,
Saltava sobre a fogueira,
Que o tempo as cinzas me traz!...

No quintal da velha casa,
Havia um pé de caju,
Ao lado de um pé de imbu,
Onde eu me punha a brincar!...
Tudo era puro e tão bom!...
Havia figos gostosos,
Imbus, cajus saborosos,
Naquele velho pomar!...

A meninada sadia,
Risonha, alegre e feliz,
Nos folguedos infantis,
Encantava a minha avó,
Ora fazendo arruaças,
Tirando frutas maduras...
− Pequeninas criaturas...
Éramos todos um só!...

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Daqueles tempos tão lindos,
Aquela infância querida
Voou nas asas da vida
E em nuvens se transformou!
Agora, vaga nos longes...
Bem longe daquela terra,
De que a lembrança ainda encerra
O que o tempo lá deixou!...