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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MINDIM

O Mindim, sucinto e intuitivo, é belo, mágico e traz, em seu poder de síntese, a sutileza do espírito poético e instigador de sua criadora, Luna Di Primo. É sutil em transmitir, em apenas três versos de, no máximo, duas sílabas gramaticais (pois não admite versos com mais de duas sílabas), a grandeza de um pensamento, seja ele pessoal ou filosoficamente universal. É instigante porque faz pensar, tanto a quem o faz, como a quem goza das delícias de sua leitura.
O Mindim veio para ficar, não apenas pelo que foi dito acima, mas pela singeleza e magia de versos tão pequenos que, ao mesmo tempo, podem ser tão grandes! É exatamente a grandeza do simples que encanta a todos.

MINDINS

Faze!
Tu tens
O veio!

***

Cria
É tua
A arte!

***

O mundo
Quer
Paz!

***

Vai!
Galga
Vibra!

***

Ama
O amor
Total!

CADEIA DE MINDINS

Eu
Em tua
Mão

És
Meu
Teto
  
Sou
Teu
Chão

Vivo
Em ti
O amor

És
Minha
Paixão!

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BURRO EM ABUNDÂNCIA

Amigo fui a um cartório
Na cidade de Resende
Foi mais triste que velório
Quando nem vela se acende
Indaguei (como um anônimo)
Pra registrar um pseudônimo
Se aquele cartório atende

O rapaz que me atendeu
Levou um susto danado
Disse que não entendeu
Olhou pra trás e pro lado
Coçou a cabeça e o nariz
E eu acho que por um triz
Não foi ao chão desmaiado

Falei então: Meu amigo,
Eu só quero registrar
E ele: Concordo consigo
Só precisa me informar
Qual o nome da criança
Tenha toda confiança
Que nós vamos silenciar

- Só quero, amigo, saber
Como registro um pseudônimo
(escrevi pra ele ler)
E ele buscava um sinônimo
- o que o senhor quer é nome?
Falei: Não, nem sobrenome
Você já vai entender

Ele disse, ah, eu já sei
É quando o nome é igual!
Também não é, eu falei,
Com paciência total
Falei, não, isso é homônimo
Mas o que eu quero é pseudônimo
Nome fictício, irreal...

Tomado de outro espanto
Perguntou-me: Nome o quê?
- Fictício !... E ele olhou pro canto:
Vou resolver pra você!
Voltou: Moço, num é aqui não
Feitiço é religião
Num é aqui, nada a vê!

Olhei pro céu e rezei
Falei pra Santa Constância
Que em todo canto que andei
Nunca vi tanta ignorância
Tive pena do Brasil
Nação de um povo gentil
... E de burro em abundância!...

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

VIDAS SEM VIDA


Segue como louca
Indomável fera
Trêmula, voz rouca
Vai tirando a roupa
(Se há censura, é pouca)
Sonhos de quimera...

Festa ‘rave’ aflora
No seu pensamento
E n’última hora
Sorve e revigora
Vida que deplora
Sem constrangimento!

Vai, tira essa burca
Cai logo na dança
Não é dança turca
É polca-mazurca
Dançada na Urca
... Vida que balança!

Não há mais sentido
Dorme ali, caída
Não há mais libido
Nada é proibido
Solta o seu gemido
Dando adeus à vida!...

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FAÇAMOS ALGO, SIM!

Aflora-me o aval de algum pensar,
Se é para o bem de toda a juventude.
Faz-se mister louvar essa atitude,
Pois que ao jovem lhe mostra um caminhar!

Façamos algo, sim, para ajudar
Aos jovens a viverem com virtude...
Pensemos na saída que os ajude,
Dando-lhe as mãos, sem medo de errar!

Da parca e tão errada educação,
De tão brutal desprezo, vil e triste,
É assustador o índice que existe!

Não há como deixar de dar a mão,
Levar a sério, não usar de chiste
... Deles será o leme da Nação!

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A SOBERBA DE UM POETA

Cuidado, na soberba não se arvore!
Desça do pedestal, visite o mundo!
Não deixe ser o orgulho tão profundo!
Não se faça de besta, colabore!

Se não lhe apraz o poeta que ainda chore,
Se ter saudade faz-lhe nauseabundo,
Se quem fala de amor é vagabundo,
Amigo, o erro é seu, morra ou melhore!

Cale-se, no seu túmulo de pedra!
Entregue aos vermes todo o seu viver,
Você, que se acha ser real poeta!...

No oposto - caro amigo - de um esteta,
(Qual um fascista oculto) o faz feder
Um coração assim, que amor não medra...

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CONTRASTES (para reflexão)


Ela é grande empresária
Já não anda na rua
Manda sua secretária
Bela em sua indumentária
Pois a proprietária
Não mais anda, flutua!

Lá do seu gabinete
Protegida e mimada
Não comete falsete
Pra comer tem lembrete
Pisa em belo tapete
Nunca é incomodada!

Para amar, paga bem
Ganha até elogios
Faz o que lhe convém
Reclamar?... Ai de quem!
Todos dizem amém
Só comentam seus brios!

Vão-se os anos passando
Hoje milionária
Sua pele enrugando
Ela vai apelando
Vai-se toda esticando
Sofre... Com a faixa etária

Que já lhe enruga o rosto...
E a feliz secretária
Sempre com muito gosto
Tem amigos no posto
Não conhece o desgosto
Como aquela empresária!

Faz da vida uma festa
Não dispensa a cerveja
Não tem rugas na testa
Sua conta é modesta
Tem o amor que lhe presta
E a empresária... Deseja...

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sábado, 14 de janeiro de 2012

SAUDADE













Plantei uma flor
Na beira da estrada
Que é sempre regada
Com o meu amor
Dei um nome a ela
Por ser a mais bela
Quando lembro dela
Sinto seu olor!

Chamei-a de Lua
Lua prateada
Que na minha estrada
Me aparece nua
Prateando em mim
Este amor sem fim
Que me deixa assim
Na saudade tua!

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CANTIGA POR TI




Cantei em versos tua voz calada,
Mas não ouvi os ecos da canção...
Sonhei sonho profundo à madrugada,
Mas só ouvi bater meu coração...

Tentei por outras trilhas da escalada,
Perdi-me, fiquei só, na escuridão;
Ouvi longe, qual sino em badalada,
O som quase apagado da razão!

Não há vislumbre algum de uma partida,
Na densa névoa fria que me cobre,
Pois que da volta não quero a descida.

Continuarei cantando o que me sobre,
Até ouvires tu, despercebida,
minha cantiga que é por ti... Tão nobre!

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ANIVERSÁRIO DO CUMPADE LEMOS (14/01)












Meu cumpade antecipano
A data do aniversaro
Depressinha desejano
Aumento do seu salaro
Dou parabéns do meu jeito
Aqui rendendo esse preito
De um cantador solitaro...

É que o meu cumpade Lemos
Ta fazeno aniversaro
E pelo que nós sabemos
Junto com o Belizaro
Que é um cabra bom de prosa
Conta dúzia e conta grosa
Sem mesmo fazer preparo!

Mai quanto ao cumpade Lemos
Esse já é conhecido
É quem todos nós sabemos
Um homem esclarecido
Faz verso bom de repente
Para alegrar toda gente
Sem querer ser exibido!

Vou convidar o cumpade
Para uma roda de prosa
Vou juntar umas cumade
Dona Antõia e dona Rosa
Vou contar mais de cinqüenta
Quero ver quem é que agüenta
O saldo da rebordosa!

Mai o que quero dizê
Nessa minha iscrivinhança
Meu cumpade, é pra você:
Que tenha muita esperança,
Saúde, paz e dinheiro,
Amor bom, do verdadeiro,
Muita bem-aventurança

E quando nascer de novo
Nasça de novo poeta
Para alegrar esse povo
Fazer sua vida completa
E espalhar pelo universo
A beleza do seu verso
... Parabéns, caro poeta!

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domingo, 8 de janeiro de 2012













ETERNO AMOR

A chuva que cai na terra
Molhando todo esse chão
Traz a lembrança que encerra
De ti o meu coração!

Dentro do peito calado
Um pedaço vai chorando
Cá fora o olhar marejado
Nem vê que ‘tá’ se molhando!

É que a chuva vem ligeira
Com ela vem a lembrança
Saudosa da vez primeira
Que te chamei de esperança!

Numa noite de inverno
Debaixo de um pé de flor
Juramos amor eterno
Eterno é, pois, nosso amor!

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sábado, 7 de janeiro de 2012

TRISTEZAS DE UM POVO













Esconde a veia amarga da agonia
Do corpo nas entranhas escarlates,
No visgo putrefato dos embates,
Na mórbida descrença da harmonia!

Na saga de um sofrer sem ver destinos,
Na vida deletéria em que ela vive,
A terra que circunda Tel-Aviv
Padece inda ignorante em desatinos!

Em seus desertos povos de outras eras
Ritos sagrados, cismas da história,
Milênios de discórdias e quimeras...

Qual num grunhir de horrores sem memória,
Seus jovens já não têm mais primaveras
... Morrem sem nome... Em guerras sem vitória!

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SAUDADE TUA














Que saudade tua
Que saudade louca
Lembro-me... Tua boca
Silhueta nua...

Tua voz ecoa
Nos sons do pecado
Do amor velado
Que a mim se doa!

Rasgo o véu do átrio
Sob a luz das tochas
Deito-te nas rochas
Do meu solo pátrio!

Na ilusão de ter-te
Nesse esconderijo
Faço-me tão rijo
Para mais um flerte

... E volta a saudade
A saudade tua
Linda e seminua
... Sem mais castidade!


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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A QUANTAS ANDARIA EU












A quantas andam minhas ilusões
Se já nem mais eu tenho o que pensar
A quantas andam tantos corações
Que, como o meu, não cessam de amar...


A quantas andam todas as paixões
Que abrasam corações a se queimar
No sobe-e-desce antigo de emoções
Que a todos queimam sem querer queimar!


Não há paixão no mundo ou amor qualquer
Que já não tenha andado à deriva
- Seja coração de homem ou de mulher...


Não há quem não precise de guarida
Do amor e da atenção que lhe vier
... A quantas andaria eu, sem tua vida?


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