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domingo, 26 de fevereiro de 2012

MEU VELHO BARCO












– Oh barco que navega em água calma,
Leva daqui de mim essa saudade!
... Aqui e ali pendida u’a verde palma,
Navega ele silente em soledade...

Galhos de gameleira em quantidade,
Esparramados qual mantos de talma,
Tocam bem fundo dentro de minh’alma
Rendendo-se ao rio em divindade...

A proa corta a água feito um ‘v’
Na mansidão do rio onde navega
E deixa-me assim pasmo e à sua mercê...

Minha saudade agora ele carrega
Deixando no remanso que se vê
Lembranças que a memória inda me entrega!

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

VOO NOTURNO












Escrevo enquanto vôo em minha nave
Sorvendo o que há de belo no universo!
Estrelas se reúnem num ‘conclave’,
Num manto que ilumina esse meu verso!

O vôo noturno deixa-me imerso
Nesse universo, sem nenhum entrave,
E plano sem barulho, qual uma ave,
Enquanto escrevo um verso em estilo terso...

Aqui não é Pasárgada, a do poema,
É uma dimensão inda mais bela!...
Vôo entre espessas nuvens sem problema,

Beijo a face da Lua, da janela,
Digo-lhe que o amor é o meu lema
E deixo-a junto à Estrela... A grande ‘Stella’!...

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ENTRE A NOITE E O DIA













Brancas, as nuvens matizando o céu
vão se movendo num bailado leve,
enquanto paira livre e solta, ao léu,
a lua cheia, de um brancor de neve.

Já se aproxima a noite e ela brilha,
e, em solitária trajetória, espia,
por entre os flocos, essa maravilha,
o azul da terra entre a noite e o dia.

O cosmo se enche de piscares mil,
e a natureza, assim, segue sutil,
para que tudo siga sua rotina.

O dia vai enquanto a noite vem,
deitando um manto que só ela tem,
até que sopre a brisa matutina.

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Ainda o verde-folha predomina,
Por sobre a capa cinza do concreto,
Que aos poucos toma conta e contamina,
Num avançar contínuo e indiscreto...

Havia um céu azul, um belo teto...
Onde havia floresta hoje há campina!
Hoje entre o céu e a terra há uma cortina
E a poluição já atinge até o feto!

Em nome de um progresso desmedido,
Assusta-nos o nosso “status quo”!
Até o valor da vida foi invertido

E pouca gente sabe o que é ter dó...
É urgente que se grite, a todo ouvido,
Um basta à destruição... O mundo é um só!

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AS CURVAS DO CAMINHO (glosa)


























Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Caminhei sete léguas de estrada,
para ver u'a beleza diferente!                   
Era um branco brilhando ao sol nascente,      
igual nuvem no céu esparramada.
Não se via nem galhos nem ramada,
só o branco cobrindo aquele chão,
era um belo plantio de algodão,
bem cuidado com zelo e com carinho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Continuei caminhando chão a dentro,
esquecendo do tempo e da vida,
e esquecendo da hora da partida,
já entrara talvez até o centro.
Nesse mar de algodão junto a um rebento,
encontrei, num lugar longe do chão,
um chumaço sedoso de algodão,
acolchoando um repuxo que era um ninho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Encontrando a saída, vi a estrada
e a curva que eu via ainda menino.
Vi a mão que apontava o meu destino
e um vulto mostrando-me a entrada.
Quase em transe entre a cruz e a espada,
dei um salto e me dei um beliscão!
Tudo aquilo era só imaginação...
Abracei meu cantil e bebi vinho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Retornei do passeio que fazia,
com a alma lavada e muito leve.
Vi que é fácil vagar inda que breve,
pois viajei ao passado por um dia.
Sete léguas que andei ainda andaria,
nas estradas e curvas desse chão...
Levaria, de todo o coração,
as pessoas que tenho com carinho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O MAGO MINEIRIM

Um mago subiu ao monte
Para dar uma cagada
Uma luz tocou-lhe a fronte
Para avisar-lhe a cilada:
Enorme rinoceronte
Perto de Belo Horizonte
Se refrescava na fonte
Onde a tenda estava armada!

Ele com tamanha astúcia
Arrancou de sua espada
E enchendo-se de argúcia
Prosseguiu na escalada
Mineirim de Belzonte
Deu a volta pelo monte
Surpreendeu o rinoceronte
Com uma bela gargalhada!

É que o bicho era de pau
De uma tribo alienada
Todinha de canibal
Que preparara a cilada!
... Mineirim oiô pro trem
– Ocês num come é ninguém
Rezou, correu, disse amém
... Salvou-se... Pura cagada!

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domingo, 19 de fevereiro de 2012

VIBRAÇÕES




Vejo um filete d’alma entre a paisagem,
Qual folha seca solta, quando cai...
Flutua com leveza em bela imagem,
Na tênue luz do sol que já se vai!

Fita em silêncio a tudo, sem um ai;
Paira, suave e longe, sem roupagem
E segue devagar em sua passagem
... Deixa um sorriso brando e logo sai!

... É a paz d’alma bondosa a visitar
A quem ela protege em suas missões,
Qual um pastor de ovelhas a cuidar!

É a conjunção de fluidos, vibrações,
Em sua missão divina a harmonizar
O amor que Deus plantou nos corações!...

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DOCE PEQUENA

Olá, doce pequena, do meu mundo,
Que se faz muito grande em meu querer.
Não te perco de vista um segundo
... Tu és da minha vida o benquerer!

Vejo o mundo pulsar em teu viver,
Encontro-te nos rios, lá no fundo;
Vadeio no teu ser, no bem profundo
E venho à tona quase sem saber...

Nado em tuas águas prenhes de beleza,
No teu remanso morno me refaço;
Desço à deriva toda a correnteza,

Relaxo na delícia desse espaço
E pego o que há de bom na natureza
... Para saborear no teu regaço!

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ANSIOSO CORAÇÃO












Meu coração anseia a eternidade,
Só para ter-te sempre ao lado seu!
Palpita, relutante, na saudade,
Quando a saudade atinge o apogeu...

Ó santa ingenuidade – digo eu!
Ele palpita nessa ansiedade
E no meu peito bate, de verdade,
Bate por ti, em mim – coração meu!

É um coração que sente como eu sinto;
Fiel amigo, sabe que eu não minto,
Quando a saudade bate pra valer!

Hoje, bebe – comigo – aquele vinho,
Que nós bebemos lá, no nosso ninho  
... Onde o sol brilha, bem no entardecer!

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

NÃO É FÁCIL NAVEGAR

Fizeram-me acreditar
Nos acasos que encontrei
Que era possível pensar
No que nunca imaginei
Não é fácil mourejar
No que nunca mourejei!

Agora vou lhe falar
Dos acasos onde andei
Não deixe o barco virar
Como o barco que eu virei
Não é fácil navegar
Como um dia naveguei!

Eu saí pra navegar
Na canoa que eu achei
Não deixei a água entrar
Foi assim que eu escapei
... Mas foi por saber nadar
Que eu quase me afoguei!

Tenha cuidado ao nadar
Veja, amigo, o que arrumei
Fui afoito a navegar
Na canoa que eu achei
Se não sabe bem nadar
Não nade como eu nadei

... Pois foi por saber nadar
Que eu quase me afoguei!

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OS ACASOS DA VIDA

Na vida há acasos
E entre eles mil casos,
Que morrem em ocasos,
Sem nem perceber!

São plantas de vasos,
Sem terra e tão rasos,
Que morrem em descasos,
Sem água a beber...

Com água a semente
Germina contente,
É mais resistente,
Demora a morrer!

É como o amor
- Sem ranço ou rancor-
Que brota e dá flor,
Com seu benquerer...

Na vida há acasos,
Que quebram seus vasos,
Que matam seus casos
... Matando o viver!...

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AS NOITES DOS MEUS DIAS

Manhã cinzenta e fria de invernada!...
Escorrem pelo vidro em fios d’água
As lágrimas da chuva que deságua
E calam-se no vidro à madrugada...

Em lúgubre paisagem já embaçada,
A noite espera o dia em sua meiágua,
Trazido pelo Sol em sua frágua,
Na mesma dualidade compassada!

Sucedem-se os dias e as noites,
Como sucedem chuvas e estiagens,
Como sucedem choros e alegrias,

Como sucedem beijos e açoites
... E entre o amor mais sério e vadiagens,
Sucedem-se as noites dos meus dias!

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

NAS ASAS DO TEMPO

Nas asas do tempo voam
Suspiros, vestes e sonhos,
Segredos em sons bisonhos,
Que nas colinas ecoam...

Do tempo voam nas asas
Arroubos, sonhos, suspiros
E os segredos dos papiros,
Guardados em nossas casas...

Deslumbres, brindes, quimeras
Não são sequer passatempo!
Foram-se todas no tempo
As antigas primaveras!

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

SEGUNDO DILÚVIO

Quando outra vez o mar se intumescer,
Não deixará lamúrias na história!
Não poupará memória a qualquer ser;
Não poupará o falso em sua vanglória!

O sal corroerá em bel-prazer
E, triunfante, irá cantar sua glória,
Quando outra vez o mar se intumescer,
Não deixará lamúrias na história!

Gargalharão no escuro ao padecer
Jocosos... Risos falsos morrerão
... E não verão jamais o amanhecer!
Triunfará o Bem, na imensidão,
Quando outra vez o mar se intumescer!

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

UM DOCE BEIJO

Deixo a ti um doce beijo
Nessa manhã tão bonita!
Bonita como o desejo
De ver-te sob essa chita!

Vejo as formas salientes
Estourando o algodão!
São como duas sementes
Plantadas no coração!

Só de pensar em tocá-las,
Recito versos, canções,
Decifro linhas... Mandalas
... Paixão das minhas paixões!

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O SOL E A LUA (Mindim)

Disse
O Sol
À Lua:

- Tu és
A mais
Bela!

A Lua
Ao Sol:
És Rei!

- Então
Serás
A luz,

Lua
De luz
Do Sol!



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JOVEM - A FLAMA DA ESPERANÇA !


És do país a flama da esperança,
que das entranhas veio pra vencer;
remas no remo forte do poder;
esbanjas destemor e confiança!

Não vês derrota nem desesperança,
tu tens à tua frente o teu querer;
és jovem, tens a sede do saber;
não desperdiça, pois, essa pujança!

És do Brasil a força que desponta;
tem consciência disso, é tua vez!
Estuda, aprende, luta, assume a ponta,

constrói o teu futuro em solidez,
defende o teu país a qualquer monta!
Sê solidário... Amigo... Sê cortês!

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

LAMENTO

Acordei cedo e saí,
Quando o sol se levantava!
Encontrei um bem-te-vi,
Num ramo que balançava.
Dei-lhe bom dia e parei
(Por sorte não o assustei),
Para ouvir o que cantava!

Puxei conversa com ele,
Perguntei, com gentileza,
Que canto seria aquele,
De alegria ou de tristeza?
Ele, expondo suas penas,
Disse-me aquilo era apenas
Um lamento à Natureza...

Papo vai e papo vem,
Ele ficou meu amigo,
Mostrou-me como ir além,
Diante de qualquer perigo,
Pois que a natureza é sábia,
Não há truque, não há lábia,
Não nos deixa em desabrigo!

Contei-lhe sobre os meus sonhos...
- Pois sonho muito a voar;
Sonhos bons, nunca tristonhos,
Dá dó até de acordar!
Ele então se ofereceu
A ensinar-me o que aprendeu
Pra, de verdade, eu voar!

Ganhei altura e coragem,
Voei por sobre a campina,
Lagos, rios, e pastagem,
Fui ao topo da colina!
De lá eu vi as cidades...
Vi seus medos e ansiedades...
Coisas que nem se imagina!

Vi rastejando nas ruas
A maldade e a ganância,
Os roubos, as falcatruas!
Vi do alto e à distância,
Que é a desordem que impera,
Na loucura que acelera,
Cedendo a qualquer instância!

Vi rios virando esgoto,
Abandono de animais!
Vi mendigo todo roto
Tudo isso e muito mais!
... Mas não vi os governantes
Transitando entre os passantes
Portadores dos seus ais!...
.................................
Ser um pássaro cantante,
Viver livre, sem problema,
Quem não quer, por um instante?...
Nesse cordel, que é um poema,
Deixo lamento e tristeza...
- Livremos a natureza
Desse abandono constante!

Façamos prevalecer
A força que é do povo!
Não nos deixemos vencer
Só pelo belo e o novo!
Gritemos em alto brado,
Apontemos o errado,
Não sejamos qual deutovo!

NOTA: Significado de deutovo: A larva inativa incompletamente desenvolvida de um ácaro, após a ruptura da casca externa do ovo.

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