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domingo, 25 de março de 2012

ANDANÇAS - Almas claras






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Minhas andanças que me guiam longe
Em meus caminhos só plantaram flores!
Dos descaminhos deixei longe as dores...
Nada me afeta, nada mais me ronge!

Das almas claras a distância faz
Desvanecer, mas não morrer de todo
O que a lembrança não cobriu de lodo
E sem engodo me devolve em paz...

Das almas claras que encontrei distante
Faria efígies a enfeitar a estante
Mas coloquei-as ao tocar da mão...

As amizades que distante herdei
Florescem hoje onde bem plantei...
No coração do mais distante irmão!

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sexta-feira, 23 de março de 2012

NUNCA MAIS EU VI... AQUELA















Nunca mais eu vi aquela...
Aquela que eu sempre via...
Vi outro dia a janela,
Onde sempre estava ela,
Fogosa, airosa, tão bela...
Hoje a janela é vazia!...

... Vi o cravo que plantei
Do lado da casa dela,
Que muitas vezes reguei,
Com lágrimas que chorei,
Com prantos que derramei,
Porque só pensava nela...

Pois é... Eu nunca mais vi
Aquela moça tão bela...
Assim como a conheci,
Também um dia a perdi
... Foi grande a dor que senti!
Nunca mais eu vi... Aquela...

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LIÇÕES


Nos mares por onde andei,
Vi choros de alegria,
Sorrisos de fantasia,
Em faces que já nem sei!

Nos mares por onde andei,
Vi o franco, vi o falso,
Vi tronos, vi cadafalso,
Coisas que nunca pensei!

Ao pisar firme na terra,
Na lembrança de um passado,
Tudo estava consumado
... A natureza não erra!

Dos mares que naveguei,
Trouxe lições importantes...
Amei o amor dos amantes,
Fiz o bem, muito ajudei...

Se nos mares onde andei
Andasse eu outra vez,
Amar bem mais sem talvez
... Amaria mais que amei!

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terça-feira, 20 de março de 2012

SAINDO A GALOPE (Galope à beira-mar)


Sinta o ritmo de um galope, ao ler este poema!
A métrica e a distribuição das sílabas tônicas      reproduzem as batidas do galope!








Viajo na terra da livre expressão,
De noite, de dia, sem medo do fim;
Não uso colete, gravata cetim;
A roupa que eu uso é de puro algodão,
De fibras fiadas, torcidas à mão!
Viajo sozinho sem medo de errar...
Na voz do destino me vejo a cantar...
Desbravo esse mundo num belo cavalo
Que trota, galopa e responde ao que falo
... Com ele eu galopo na beira do mar!

Da vida não levo pesadas memórias,
Deixei a tristeza na curva primeira.
Não vale um trocado sofrer por besteira!
Da vida só levo entre as belas histórias
Aquelas lembranças de lutas e glórias,
Momentos felizes, belezas sem par;
Meu peito respira o mais puro do ar!
Não levo comigo desgosto profundo,
Pois tenho nas mãos o amor e o mundo
... Saindo a galope na beira do mar!

É vida vivida, gostosa emoção,
Sair a passeio num belo animal!
Sair do marasmo, sair do quintal,
Sorrir para a vida e ao mal dizer não,
Ser forte e sereno como esse alazão,
Que voa a galope com o vento a cortar
E deita suave quando é pra deitar!
... A vida conclama a sair para a rua,
Seguir as estrelas que enfeitam a lua
... Num belo galope na beira do mar!

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domingo, 18 de março de 2012

COMO FAZER UM GALOPE (galope à beira-mar)


Fazer um galope que seja bonito
Requer paciência e muita destreza
É como arrumar uma bela princesa
É como fazer um gostoso palmito
Contar uma história, falar sobre um mito
Fazer um galope é como o cantar
A voz afinada, o saber respirar
Saber ser feliz, dar valor ao que é puro
Pensar no passado, viver no futuro
Curtir um galope na beira do mar!

Fazer um galope que seja decente
É nobre, é bonito, faz bem aos ouvidos
Relembra o que é bom, traz os elos perdidos
Arranca o passado e lhe faz bem presente
Seletas escolhas de coisas, de gente,
Fazer um galope é bem como o amar
Amor bem vivido no rir, no chorar
É ter sentimento encravado na alma
Viver uma vida serena e bem calma
Como ir galopar lá na beira do mar!

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LIÇÕES DA VIDA


A vida nos ensina a tolerar,
Numa sábia atitude de valor!
Valor ao qual devemos ponderar,
Em consciência plena e sem favor!

Fosse a vida tão fácil, sem a dor,
Valor pouco teria o verbo amar...
A vida nos ensina a enxergar
Caminhos que nos levam ao amor!

Bem vindo a nós o arroubo de ternura;
A nós bem vindo seja o perdão!
Seja por nós amada a criatura

Que a vida apresentou ao coração!
Juntemos tolerância com candura
... Vivamos pleno amor, plena paixão!

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sábado, 17 de março de 2012

LEMBRANÇAS
















Transpondo essas colinas verdejantes,
Entre as frestas de sol aqui e ali,
Molhando a testa em folhas gotejantes,
Relembro com saudade onde eu nasci...

A bela natureza onde eu cresci,
As águas cristalinas e brilhantes
Do Rio Corda, entre árvores gigantes,
Onde a nadar, criança, eu aprendi...

Transpondo essas colinas sinto n’alma
O encontro com a paz que outrora havia...
Folhas que choram lágrimas de calma,

No orvalho das lembranças que eu trazia,
Como das folhas verdes de uma palma
... Que hoje só vejo n’alma... Em poesia!

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A PRÓXIMA ESTAÇÃO













Qual silhueta etérea em seu vagar silente,
Desliza a suavidade em movimento leve...
Bafeja qual o vento em tarde meio quente,
Onde não há geleira ou o refrescar da neve...

Balão aventureiro alçado no ocidente
Suave trajetória alhures vai e escreve;
Contrasta em céu azul num viajar tão breve
E perde-se de vista em direção poente...

Assim também a vida, a percorrer distâncias,
Carrega em sua lida alhures minhas ânsias,
Enquanto vôo só, cruzando a imensidão...

Da amada sinto o cheiro, entre doces fragrâncias...
Dela faço meu porto – a próxima estação –
Para com ela amar noites de extravagâncias!

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TEU NOME


Na suavidade ímpar que o teu nome encerra,
Vejo descortinar-se uma mensagem d’alma,
Nascida no cerrado, ladeando a serra,
Entre as flores do campo em verdejante calma!

Na suavidade tenra do vento na palma,
Qual fundo musical, sutil, que chega à terra,
Ouço a mensagem branda de quem nunca erra,
A tocar o meu ser bem fundo em minha alma...

Teu nome é essa mensagem a me dizer: Cheguei!
Depois de muito andar, perambular, não sei,
Por fim, chegou... A ponto de me conquistar!

Na suavidade ímpar do teu nome achei
O sincronismo calmo que me fez sonhar,
Diante da flor serena que eu imaginei!...

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QUASE


Quase caí no poço, enquanto caminhava...
Não vi que a vida, a mim, mostrava-se tão boa!
Quase perdi meu sonho, enquanto conversava;
Quase perdi o amor, por uma coisa à toa...

O mundo me ensinou a navegar na proa,
Mas orgulhoso fui, no mar que navegava...
As regras que aprendi, já quase não usava...
Assim, quase perdi minha melhor canoa!

Bem feita e trabalhada em madeira de lei,
Nela está minha vida e tudo o que sonhei!
Talhado foi seu corpo, em corpo de mulher...

Eu morreria junto, em situação qualquer,
Se ela não perdoasse o mal que lhe causei!
... Irei nessa canoa aonde ela quiser!

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sábado, 10 de março de 2012

ALÉM DO MAIS ALÉM













Ao despertar do sonho, onde eu a vi tão perto,
A pálpebra cerrei, para de novo olhar;
Tentei com minha mão, num gesto meio incerto,
Achá-la, já acordado, após o meu sonhar...

Em vão, a minha mão tentou inda tocar
O vulto, que no sonho, eu tinha como certo;
Senti que fui feliz, antes de ser desperto...
O sonho que sonhei me pôs a delirar!

Busquei no inconsciente a chave da memória,
Onde a felicidade existe e é notória,
Para escrever de mim registros do meu bem...

Cheguei ao infinito, além do mais além,
E vi o seu retrato emoldurado, em glória,
A me esperar de um longo adormecer... Também!

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ALMA SERTANEJA













Vi a alma do sertão, que a natureza beija,
Quando na noite clara adeja sobre o monte...
Da lânguida figura a imagem sertaneja
Reflete cintilante o brilho em linda fonte!

Tão bela, fez-se nua,  ao beijar minha fronte
Num suave cintilar de luz que inda lampeja...
Igual um vagalume em forma de cereja,
Em silhueta brilha ainda no horizonte!

Vi a alma sertaneja alvissareira e bela,
Saída do serrado a inebriar minh’alma...
Ouvi seu acalanto ao abrir da janela!

... Em transparente manto, igual feito de talma,
A imagem sertaneja, airosa e tão singela,
Partiu, deixou-me só... Arrebatou minh’alma!

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quarta-feira, 7 de março de 2012

NÃO REVIDE (soneto alexandrino)

Não pague uma ação má! Não gere uma ação crua!
Decerto a mente envia, além, bem muito além,
A gosma que carrega, acorrentada e nua,
Enquanto segue só, sem alma e sem ninguém!

Se em nada lhe adianta o argumentar da rua,
Se em nada lhe convence o argumentar de alguém,
Fecha-se a mente em si, na posição que é sua;
Seu mundo embota ali... A vida flui aquém!

Das vísceras, escorre um dissabor que agride,
Enquanto a mente vibra a augusta posição
Na esteira do ‘saber’! Sucumbe em si... Colide!

Não pague uma ação má, agindo com revide!
A mente humana aposta a vida e a paixão
... A alma se separa... O corpo se divide!


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DOIS EM UM - ARTIMANHAS POÉTICAS (decassílabo heróico/dodecassílabo; elimine o segundo, e o primeiro não perderá o sentido)

Voou nas asas brancas do passado, foi-se,
A pura e cristalina fidalguia, já era!
Brutal, veio o furor, bem adestrado, a coice,
Trocou delicadeza por folia, pudera!

Já não se vê sorriso de alegria, quem dera,
Nem mesmo num prostíbulo enfeitado, alcoice...
Agora, tudo é fato consumado, foi-se!
É sonho, devaneio, fantasia, mera...

Sorrir parece ser obrigação, ou é?
Gentil é coisa antiga, é do passado, não?
Falar, cumprimentar sem dar a mão, ou pé?

Ridículo se faz de engraçado, em vão,
E o humano se protege em seu jibão (olé!)
Do humano que um dia foi mimado e são! 

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