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terça-feira, 27 de novembro de 2012

DESAFIO entre INEIFRAN & LUNA DI PRIMO


Achei uma bela flor
Aberta no meu jardim
Chamei-lhe de flor do amor
Bem junto a um pé de jasmim   (Ineifran)

Bem junto a um pé de jasmim
Uma flor desencantada
Diz, logo, afasta de mim
Não quero saber de nada        (Luna)

Não quero saber de nada
Isso você diz agora
Ficou foi toda assanhada
E agora me manda embora     (I)

E agora lhe mando embora
Mas que grande despautério
Você vive mundo afora
Vive sem nenhum critério       (L)

Vivo sem nenhum critério?
Eu lhe tratei com carinho
Vou lhe ver no cemitério
Em meio a um monte de espinho    (I)

Em meio a um monte de espinho
Veja bem a sua índole
Merece viver sozinho
Sem ninguém que lhe console        (L)

Sem ninguém que me console
Isso de nada me importa
Suas ‘zoreia’ deixo mole
E sua cara toda torta                    (I)

Minha cara toda torta
Eis um belo cavalheiro
Ao levar fora se entorta
Que sujeito traiçoeiro                  (L)

Que sujeito traiçoeiro?
Num adianta chiar
Virou flor que num tem cheiro
Ninguém mais vai lhe cheirar       (I)

Ninguém mais vai me cheirar
E nenhum cabra da peste
Somente quem eu deixar
Escrevo para que ateste             (L)

Escreve para que ateste
Pois vou mandar um perfume
Vai cheirar rosa do agreste
E parar co’esse ciúme               (I)

E parar co'esse ciúme
Ora não me faça rir
A olhar pra tal feiúme
E ouvir esse latir                       (L)

E ouvir esse latir
Eu ouço você, senhora,
O meu sangue vai subir
E vou lhe engolir agora            (I)

E vai me engolir agora
Você não aguenta nada
Homem mole casca fora
Só é macho de fachada           (L)

Só é macho de fachada
Você sabe que é mentira
Já lhe deixei bem cansada
Depois de dez vira-vira          (I)
  
Depois de dez vira-vira
Você já nem existia
Botei-lhe arreio com tira
Meu burrinho fantasia            (L)

Seu burrinho fantasia
Que se deitou no seu peito
Eu só lhe dei alegria
Um burrinho sem defeito       (I)

Um burrinho sem defeito
Já cansei de ladainha
Vá simbora ô sujeito
Eu quero ficar na minha        (L)

Eu quero ficar na minha
Por isso um beijo lhe envio
A grosseria é da rinha
Tudo fica por um fio            (I)

Tudo fica por um fio
Parecer tudo verdade
Faz parte do desafio
Que pede uniformidade      (L)
  
Que pede uniformidade
Desafio em céu de anil
Pela oportunidade
Damos vivas ao Brasil!      (I)

Damos vivas ao Brasil
E também à poesia
Dá-me um beijo varonil
Pela nossa cantoria!          (L)

Pela nossa cantoria
Dou-lhe um beijo varonil
E aos leitores eu queria
Mandar nossos beijos mil !   (I)